Você tem visto a luta de mães que precisam de transporte escolar para os filhos. Mostramos crianças obrigadas a andar quase uma hora a pé para chegar à escola.
Essas crianças chegavam cansadas e sem estímulo para aprender. Depois da cobrança do SPTV, a secretaria municipal de Educação prometeu resolver o problema até esta semana. Nós fomos conferir.
Dez para seis da manhã e Alexia está na porta de casa, à espera do transporte escolar. Hoje, dona Maria do Socorro da Silva não precisou tirar a filha tão cedo da cama e a menina ganhou um tempinho extra para dormir. O transporte passou às seis horas. “Ela vai estar mais disposta e vai ter um aprendizagem melhor”, conta a mãe.
''To me sentindo muito feliz porque agora não vou a pé”, fala Alexia da Silva, de sete anos.
A van seguiu viagem e pegou mais crianças. “O beneficio é muito maravilhoso porque só de não vir mais a pé com as crianças na chuva nos escadões, com eles no sol quente é muito maravilhoso”, diz Ana Raquel Rocha, dona de casa.
“Pelo menos as crianças não vão ficar aqui dentro molhada nem com sapato molhado com doença”, comenta Maria Luíza, dona de casa.
Com a volta do TEG (Transporte Escolar Gratuito), o trajeto da casa da Alexia à escola Eduardo Prado durou 50 minutos. É que a van parou várias vezes para pegar outras 22 crianças. Todas elas começaram o dia com mais disposição. Até a semana passada, os alunos tinham que enfrentar uma longa caminhada para chegar até a sala de aula.
Escadarias imensas, becos e calçadas cheias de pedra e mato. Eram pelo menos quarenta minutos a pé. Um percurso cansativo e cheio de imprevistos. As crianças estudam em duas escolas municipais de Itaquera, na zona leste: a Eduardo Prado, de ensino fundamental, e a Jardim Marília, de educação infantil.
O benefício tinha sido cortado, depois de sete anos, porque as regras mudaram, de acordo com a prefeitura. Para ter direito ao transporte, o aluno tem que:
- ter entre três e doze anos ou
- ser portador de algum tipo de deficiência
- morar a mais de dois quilômetros da escola
Quem mora mais perto do que isso, só tem direito se no caminho houver alguma barreira física.
Depois que o SPTV mostrou a dificuldade dessas famílias, na segunda-feira da semana passada, a secretaria municipal de Educação garantiu os casos seriam resolvidos esta semana.
Dona Adriana sentiu um alívio ao ver a perua em frente de casa, para levar o filho e a sobrinha. “Agora eles vão felizes, só de pensar que eu não tenho mais que ir junto, levar eles todos os dias”.
Tem vizinho que não está contente. A filha e o sobrinho de Josenice dos Santos Silva começaram a semana sem o transporte escolar. “Ela disse que é só primeira série e essas duas crianças do terceiro da minha rua ganharam. Se as duas do terceiro da minha rua ganharam a minha filha tem que ganhar. É da mesma rua”.