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Na capital, alunos de duas escolas municipais de Itaquera, na zona leste de São Paulo, começaram o ano sem transporte. |
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Na capital, alunos de duas escolas municipais de Itaquera, na zona leste de São Paulo, começaram o ano sem transporte. Durante anos, eles contaram com a perua escolar, de graça, mas em 2010, a regra mudou. A prefeitura da capital garante o transporte escolar para os estudantes que moram longe da escola. Antes, quem morava perto, mas tinha que atravessar lugares perigosos, também contava com a perua. E aí é que está o problema. Os bairros continuam iguais, com longas escadarias, becos e calçadas cheias de pedra e mato, mas o transporte não vem mais. Para conseguir estudar, Alexia precisa de muita disposição logo cedo. Os obstáculos já aparecem na saída de casa, em Itaquera. A calçada está cheia de mato. Ela e a mãe seguem por uma viela. Uma subida perigosa e cansativa. “Meu pé ta começando a doer de novo”. “Às vezes ela sente dor na perna, dependendo do tênis também causa bolha. Não pode ir de chinelo para a escola, só de tênis”, diz a mãe, Maria do Socorro da Silva. Aos sete anos, a menina enfrenta quase dois quilômetros de caminhada para chegar até a sala de aula. A mochila é muito pesada. “Ela cansou, não da para levar a mochila, então eu que vou levar”. E ainda falta muito. Outra viela, e todo cuidado é pouco para não escorregar. Depois, mãe e filha têm que seguir pela rua, por causa do matagal. Alexia saiu de casa às seis e vinte. Ela chegou na escola às sete e dois. Foram 42 minutos cronometrados. Já entrou, porque o portão estava quase fechado. Outras mães também enfrentam o mesmo problema todos os dias. Para ter direito ao transporte escolar, o aluno tem que se encaixar em algum dos seguintes casos: - ter entre três e doze anos, - ser portador de algum tipo de deficiência, - morar a mais de dois quilômetros da escola. E quem mora a menos de dois quilômetros do local onde estuda tem direito ao transporte, se enfrentar no caminho o que a secretaria municipal de Educação chama de "barreira física". “Todas as reuniões que fizemos a gente pergunta: o que é barreira física? Porque se uma avenida que tem um tráfego grande não é barreira física, o que é? A gente precisa saber”. O drama é o mesmo perto do bairro, no Jardim Savoy City. Nove e meia da manhã e Adriana tem pressa para arrumar o filho e a sobrinha. Os dois entram na escola às onze horas. A única opção é ir a pé. E a dona de casa ainda tem que levar no colo o outro sobrinho, de apenas um ano de idade. No trecho mais complicado do trajeto, as pessoas precisam enfrentar um escadão. São pelo menos 50 degraus, irregulares. Imagina só passar por ele com duas crianças e um bebê no colo. Depois de quarenta minutos, eles chegam à escola infantil. Nenhuma destas crianças tem direito ao transporte. As mães já procuraram a polícia, o Conselho Tutelar e o Ministério Público, mas até agora não conseguiram nada. O jeito é continuar a caminhada. É a única saída para que as crianças não desistam dos estudos. Para a prefeitura de São Paulo, a “barreira física” são os caminhos que oferecem riscos para as crianças. A secretaria entende que este trajeto que a gente mostrou é um atalho, não é o melhor caminho, que não tem tantos riscos. Mas os adultos escolhem o caminho mais rápido, para as crianças chegarem a tempo na escola e também porque muitos têm que trabalhar. Pela manhã, a nossa reportagem conversou com a assessora da secretaria da Educação. Ela disse que uma nova avaliação do problema vai ser feita até o fim desta semana. “Os casos da EMEI Jardim Marília já foram reavaliados. Estão sendo concluídas as análises em relação a EMEF Eduardo Prado e as mães terão ainda nesta semana a garantia da continuidade do benefício em todos os casos que for necessário e correto”, explica Fátima Thimoteo, assistente técnica pedagógica. “Nós entendemos por barreira física locais onde há dificuldade de travessia. Uma via expressa seria um bom exemplo, sem sinalização, lombada, calçada. Um lugar que possa oferecer risco para a segurança das pessoas para qualquer deslocamento”. Para outras mães que estão passando pelo mesmo problema, a orientação é que elas procurem primeiro a secretaria, direção da escola, conversem e será feita uma nova avaliação. |
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06-Apr-2010 8:53
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